22 junho, 2009
Balada
12 junho, 2009
o contorno dos prédios ao amanhecer preenche os olhos. o barulho dos pássaros brincando dá naturalidade ao concreto. é tudo tão coeso e tão bom que sinto até um agradável aroma que recorda os tempos de infância. talvez sopa. é isso. sopa da vovó, com legumes. e tudo se completa com essa melodia. uma sinfonia completa. bravo!
gostaria que tudo isso estivesse lá quando o dia amanhecesse. e um desesperado ato diz para me manter ativo, mas as forças físicas me forçam de tal maneira que não resisto.
e acordo, e lá está o prédio. lá estão os trabalhadores. lá estão os pássaros, as nuvens, a vovó cozinhando na janela e o vizinho a treinar violão. tudo uma plena sinfonia, desesperada para ser ouvida.
por pupo, em um dia especial
07 junho, 2009
passado no céu
ah, eu sou só um grande coração, deixa pra lá.
27 abril, 2009
Abismo
Em cima de mim está ela, tão fraca, tão triste, mas tão alto e sempre acima. Olha pra mim pra ver se estou bem e para os lados por medo. Voando assim, nem parece aquela de antes, que só se arrasta, mas nunca por querer.
Mergulhamos no abismo e aí eu vejo todos os que voam atrás, me seguindo, e essa liderança não é por merecimento ou escolha, é só porque o sonho é meu. São todas as pessoas do mundo. Todos que um dia já cruzaram meu caminho, mesmo que eu não tenha reparado em seus rostos. Os amores, as tristezas, as decepções, aqueles que seguraram minha mão e os outros que me disseram coisas ruins, mesmo sem querer. Todos os personagens de livros que se tornaram companhia para a solidão, os ídolos, os cantores tristes com suas músicas de partir o coração, os professores que me falaram para ir em frente e também os que não sabiam meu nome, os cachorros, os gatos, os coelhos imaginários... Eles vão me seguindo para onde vou e o peso nunca é forte nos ombros. Porque eles estão atrás de mim, apesar de ainda assim me dizerem sempre a direção.
16 abril, 2009
Olho para os lados e o vento sopra e diz coisas bonitas, mas percebo que os móveis do quarto estão todos no teto, as janelas estão abertas, e todo mundo está lá, e querem sair, e me puxam para a janela, e os móveis todos caem, e tudo é tão bonito, e colorido, e festivo, e todos se jogam pela janela e sopram pra onde o vento vai, e tudo dança ao meu redor, me pegam pelo braço e assopram em meu ouvido, e dizem 'vem', que quando olho pra mim estou inerte, ridiculamente inerte, e todos já se foram, cada um para seu canto, soltos, e eu fico, e eu choro.
'É o crepúsculo', dizem, e tudo parece bom e correto, eu tenho que ir, tenho que sair, mas o nome está lá, em tudo, e até ele me olha e diz 'vai', mas há o peso, ah, o peso, porque o nome sempre muda de nome, e o que se fez de toda a leveza do mundo? Deve ter morrido junto com meu avô, que quando foi não disse nada, mas não deixou dúvidas, não deixou tristeza, não deixou quase nada a não ser poucos e vagos gestos, apenas um 'oi, negona' e alguns livros e mapas, quem sabe esses mapas algum dia me levem até ele, pois são mapas dos céus, mas quem sabe esses mapas não levem a lugar algum, só a um terço que persiste, que é jogado, perdido, achado, mas sempre está lá, e isso dá tantas esperanças a um coração tão cansado de ter esperanças.
Se apenas eu fosse, e se tudo parasse, mas o vento é tudo que mais desejo, que é sossego e desespero, que então pergunto o que foi feito de toda a calmaria do mundo? Foi-se junto com ele, e de todos os outros que saltam pelas janelas e vão embora, mesmo os que não sopraram com o vento e ainda estão por perto, mas se foram, e essa leveza, se essa leveza existisse, se eu pudesse sentir, mas ela só leva tudo embora e me deixa aqui, porque há esse nome pesado sempre mudando em minhas pálpebras e em meus dedos, e em tudo que toco e vejo, e tudo que sinto e desejo, nos sonhos e em todas as pequenas coisas, mas eu acabei me afeiçoando a ele, o peso fica aqui, porque sem ele tudo seria mais leve e então eu não saberia o que fazer, eu fugiria de novo, e mais uma vez, sempre procurando o leve escondido, mas tudo acaba se tornando pesado. E não acaba, não acaba.
08 abril, 2009
01 abril, 2009
E duvidar da cor do céu e das pessoas que acordam cedo, duvidar se se está acordado ou se esse cenário lânguido só existe realmente em sonhos,
- esse pequeno espaço entre alguns instantes de tempo - que horas esse momento é real? -,
o vôo desajeitado de um mosquito do calor; o alaranjado das lâmpadas da rua virando sol. Os passos fúnubres pela calçada, o arrastar-se automático de quem faz o mesmo percurso todos os dias, todos os dias 365 passos e não se passa um ano, mas se chega até o ponto de ônibus, uma corridinha para atravessar a rua e aí não dá pra contar os passos, pois variam, e mais alguns outros tantos, em outros locais e por outros pés, todos caminhando diferentes números para chegar ao mesmo lugar.
Todos indo e você acordando. A casa suspira, e se incha e retrai tanto que chega a parecer um quase-murmúrio. Algum movimento ao fundo - será gente? O caminhão de lixo que passa vagaroso, lúgubre. E um cheiro de saudades tão forte nos lençóis... Então talvez você pense: "Passo tanto tempo aqui, nesta cama, que muito de mim já deve ter ficado nas fronhas, e no canto da parede, e na pontinha do endredon onde encosto a boca, que assim, quem sabe, se um dia eu não dormir aqui, a cama sonha sozinha".
26 março, 2009
tudo perdido, o corpo cansado, o colapso, as expectativas grandes, e tudo que se quer é um abraço de qualquer pessoa do mundo, as músicas e os filmes e os comerciais de margarina só te fazem chorar, e o travesseiro te faz chorar, e o olhar do gato te faz chorar, e as pessoas te fazem chorar, e o mundo te abraça e você não agüenta de falta de ar, e o mundo te judia, e uma frase solta de um quase-refrão em um carro qualquer te mareja os olhos, e mareja o estômago, e alguém que te lembra outro alguém em algum lugar e te lembra uma situação específica, e essa situação era tudo que você queria, e esse alguém te lembra tanto e ao mesmo tempo significa tão pouco e tanto, e esse alguém te lembra tudo que você foi e ficou pra trás, e você fica feliz, e você não agüenta mais, e então esse alguém aleatório te abre as portas da sensibilidade de novo, e você chora sem saber por que, mas sabendo sim, que é por tudo que nunca mais vai existir, mas que já esteve tão presente e tão palpável, era uma coisa tão palpável que inundava tudo, mesmo só existindo em um lugar específico e nem sendo real, só que isso te pega pelas entranhas e você se pega pensando em como kerouac estava certo quando dizia que toda escrita deveria ser instantânea, mesmo com o tanto de clichês que isso acarreta, porque esse monte de clichês é tudo que nós somos e que nos foi ensinado desde que éramos crianças e não tínhamos noção de nada dessa vida e que nunca nem suspeitávamos que um travesseiro nos faria chorar ou muito menos que um dia nós deitaríamos em um chão frio ouvindo uma só música no repete e em todo refrão você choraria, não por causa da letra, mas porque ela te passa tantas emoções com apenas um ‘ooooh’, e você sabe que essa escrita sem pontos e nem parágrafos é o maior clichê que poderia existir, só que de uma forma ou de outra é apenas tudo o que você sabe fazer, pois as coisas vem chegando e não há tempo para pontos e parágrafos e muito menos para estruturações e escolher palavras para não repetir, e nem para sinônimos e nem para quase nada do mundo, para quase nada do mundo há tempo, há tempo, sim, para tudo que não precisa e não tem razão de ser, mas você escolhe usar esse tempo para se lembrar e sofrer, e ouvir músicas deitado no chão do quarto, quando tudo o que você queria mesmo era sair por aí à noite sozinho, talvez ouvindo a música em algum fone de ouvido, ou na cabeça, ou ao longe em alguma festa qualquer, mas tudo que acontece é ficar parado, parado, e lá se vai mais um dia, e você não viu as pessoas que queria ver, mesmo as que você não conhecia e que cruzaria, por acaso, em alguma esquina, ou sentaria do lado no ônibus, e quem sabe essa pessoa estaria usando o seu tempo também para lembrar e sofrer, e talvez você olhasse para os seus olhos e por uma fração de segundos haveria uma lágrima, mas você não perceberia, porque você nunca encara as pessoas na rua ou em ônibus, pode ser constrangedor por algum motivo qualquer, e essa pessoa não choraria em lugares públicos, porque pode ser constrangedor por algum motivo qualquer, mas e se não fosse, e se você visse, e se houvesse coragem, e se as mãos se tocassem, por um segundo que seja, seria um segundo que valeria uma vida, mas não existe, só existem pessoas que se parecem com outras e te lembram alguma coisa e te fazem chorar pelo simples fato de não existirem mais, e aí tudo se perde
e então vem a vida e te abraça mais uma vez.
11 março, 2009
Brilho eterno
Fato é que esses dias vi na Nobel um livro que se chama "Onde deixei meus óculos?" e tive muitas ganas de comprar. Cheguei a ler alguns trechos e já ia me preparando para perder R$49,90 da minha poupança quando vi que ele era destinado a um público muito específico: os idosos. Bem, eu tenho 21 anos. Não que eu já tenha perdido meus óculos, mas acho que isso seria realmente a gota d'água. Enfim, coloquei o livro de volta na prateleira e fui disfarçar a minha frustração dando uma olhada na seção de variedades.
Não que eu tenha tido grandes problemas com a falta de memória, do tipo perder compromissos importantes ou ser relapsa na faculdade ou no trabalho. Eu sou bem responsável nesse sentido. Mas as coisas que realmente interessam estão indo embora, sumindo com o vento. Chega ao ponto de, depois de uma coisa bem memorável, eu parar tudo e prestar muita atenção ao meu redor: como está a luz, o cheiro, as cores, a cara das pessoas naquele momento, o que eu estava sentindo... Mas daí acaba que eu vou me lembrar só desse quadro específico que eu montei, e não do emaranhado de coisas e acontecimentos que me levaram a pensar que dada situação precisaria guardar na memória.
As pessoas me contam seus medos e é sempre mais ou menos a mesma coisa: medo da morte, de ficar sozinho, de não amar mais ninguém, de mimimi, de blablablá. Mas nada nunca vai superar o medo do esquecimento. Porque daí pra quê vida? Pra quê viver? Pra quê sofrer tanto, amar tanto, se nem isso vou levar comigo? Por quantos caminhos vou precisar passar, quanta gente vou ter que conhecer, quanta monotonia vou ter que aturar, quantos perrengues vou ter que aguentar, pra um dia tudo ir embora? E o pior, aos poucos. Minhas coisas já estão indo. Alguns momentos eu faço tanta força pra manter sempre vivos na memória que acho até que acabo fantasiando um pouco. Lembro de coisas que nem vivi, a partir de fotografias que minha vó mostra.
E é um saco isso. Tentar lembrar uma coisa simples e não conseguir. Daí faço força, tento, e nada. Até cheguei a pensar que tenho esse problema de memória um pouco por preguiça, porque posso sempre perguntar a alguém do meu lado para ter a resposta. "Como é mesmo aquela palavra? Escarafuncho?", aí a amiga não sabe, eu googleo e é, pois é, realmente, escarafunchar é remexer na terra como as galinhas (definição do Priberam), investigar, procurar com minúcia. Enfim. Fazer o que eu faço com essa minha memória enferrujada.
Coisas, não se percam por aí. Pequenos momentos que eu tanto prezo, não me abandonem. A vida já é tão fugaz... Se eu perder essas pequenas felicidades, nem sei o que será de mim. Afinal, precisava dormir, mas estou escrevendo aqui para não esquecer amanhã de tudo quanto eu queria dizer hoje.
"Feliz é o destino do inocente,
Esquecido pelo mundo que ele esqueceu
Brilho eterno de uma mente sem lembranças".
(Alexander Pope)
06 março, 2009

um cigarro pra escrever, um gato no ombro, uma cerveja para matar a sede, um raio de luz laranja pra fazer sorrir, o dia inteiro lá fora, a noite inteira aqui dentro, a noite lá fora, o dia aqui dentro, o tempo, o tempo, o tempo, as coisas todas, coisinhas, o gato no colo, os livros serenando, a vida lá fora, a morte lá fora, todas as sinapses e emaranhados e tudo, todos os corações que pulsam forte, a grande nostalgia do futuro, um carinho, alguma esperança, algo em que se apoiar, o gato arranhando, os restaurantes fuleiros, o mau-cheiro, a vastidão toda, as pessoas indo e vindo, indo e vindo, a vida sendo uma eterna rodoviária, as montanhas, o mar, ah, o mar. as pessoas, ah, as pessoas. os amores, ah!, os amores.
e eu perdendo tempo.
10 fevereiro, 2009
Pátria minha
Bem, hoje é véspera de Natal, estou em casa, com minha família, me entupindo de panetone e esperando Papai Noel chegar. Estou imensamente apaixonada por toda essa vida diferente. Quer dizer, sei que me apaixono porque sei que a vou abandonar em poucos dias, para começar tudo de novo outra vez lá no Paraná. Não sou mais criança e o Natal já perdeu aquela magia que tinha antes. O que me comove, agora, é estar onde nasci, com as pessoas que estiveram comigo por toda a minha vida, e perceber que não me enjoei de todas estas tradições. Talvez essa seja a minha maneira de dizer Feliz Natal. Talvez seja só um jeito de falar sobre um jornal queimado e sobre um moço executado.
(Original: http://odiazepam.blogspot.com/2008/12/ares-da-minha-origem.html - 24/12/08)
09 fevereiro, 2009
O verdadeiro sonho americano
06 fevereiro, 2009
Doer
Será que todas essas pessoas que a gente vê na rua ou no ônibus vivem tanto assim? Sabem, viver tanto que chega até a dar vontade de morrer? Elas vivem, certo. Mas será que choram, se dóem, e riem, e sofrem, e correm, e amam amam amam, e não dormem nunca, nem por um segundo, e quando dormem têm sonhos intranqüilos, e se angustiam, e se maravilham, e dão abraços, e se emocionam com uma nadica de coisa, e caem caem caem, e têm pequenas vitórias, e têm pequenos enormes prazeres, e falam falam falam, e ficam quietas, e querem morrer, e querer arder, e querem viver, viver!, e querem não sair da cama, e não se reconhecem no espelho, e imaginam tudo que poderiam ter sido, e sofrem até o peito não agüentar mais, e têm saudades, e bebem, e fumam, e se estragam, se acabam, se queimam queimam queimam até não sobrar quase nada, e têm raiva, e se contradizem, e querem mudar tudo, e ai! que preguiça, e pulam da cama, e escrevem freneticamente na madrugada de um domingo para segunda, poucos minutos antes de amanhecer, mas só querem escrever, soltar tudo, sangrar tudo, mesmo que seja um texto assim medíocre como esse, mas que carregue todo o peso do seu sangue, dos seus sonhos, de tudo que perderam e que amaram, de tudo o que suaram?
Meu ser, minha alma, minha lama.
30 janeiro, 2009
Sobre pedras e sons

Oh, a storm is threat'ningMy very life todayIf I don't get some shelterOh yeah, I'm gonna fade away
War, children, it's just a shot awayIt's just a shot awayI tell you love, sister, it's just a kiss awayIt's just a kiss away
27 janeiro, 2009
Monotema

26 janeiro, 2009
Eu vejo tudo enquadrado
22 janeiro, 2009
Minha vida querida
09 janeiro, 2009
Ando percebendo uma tendência em vários blogs por aí, que é aquele negócio de fazer retrospectiva do ano que passou. Como eu não sou boba nem nada e nem quero ficar fora da moda, vou fazer a minha também.
2008 foi o ano...
1. ... de algumas paixões musicais avassaladoras, que não tiveram muito uma ordem, elas mais se misturaram, sem começo nem fim. Foi ano de amar Radiohead, Elliott Smith e The Arcade Fire. Claro que tiveram outras bandas, um pouco menos amadas, confesso, mas que ainda assim contribuiram com todos os meus momentos de fossa dolorosa ou alegria exultante.
2. ... de correria. Nunca corri tanto, especialmente em alguns meses do segundo semestre. Me dediquei inteiramente à faculdade, aos trabalhos, aos estágios e, também, aos amigos. Muitos desafios e, sinceramente, nunca me senti tão feliz quanto estando nesse ritmo intenso. É disso que preciso, para conter o horror à rotina e ao tédio.
3. ... de descobrir que, afinal, eu não controlo a minha vida. Não, nem um pouquinho. Nem por um segundo. Quer dizer, pelo menos não as coisas que mais importam. Droga.
4. ... de querer viver e querer morrer e querer viver e querer morrer e querer viver e querer morrer e assim por diante. Não que eu realmente quisesse morrer (coisa que choca a maioria das pessoas), é só uma maneira de dizer que, bem, intensidade é uma coisa que existe e está aí.
5. ... de me apaixonar perdidamente pelo Jornalismo. E que paixão arrebatadora, que me acaba com a saúde e com as noites de sono, me faz ter idéias malucas e que encontra parceiria e lugar para crescer em alguns dos meus amigos mais queridos, que também resolveram apaixonar-se no mesmo período. Antes nos faltava maturidade, agora nos sobra paixão louca.
6. ... de me surpreender cotidianamente com pessoas extremamente interessantes que, coincidentemente - e felizmente - acontecem de ser meus amigos.

