20 abril, 2008


e vai passando como um vagão sem locomotiva, desgovernado, insólito, eu sei. a gente vai, sentado na janelinha, morrendo de medo de tudo, das árvores que passam correndo na direção contrária, dos barrancos, dos passageiros, que alguém se machuque, da tão esperada batida que nunca acontece, nunca. o que realmente nos amedronta, na verdade, é que esse trem nunca páre.

01 fevereiro, 2008


férias... é, já estão acabando.

minha mente já não funciona, estou num estado total adormecido. não quero saber de leituras profundas, nem de filmes de cinco horas, não quero ser cult, não quero ser nada. estou tranqüila, sem grandes pretensões e isso me faz bem.

muita coisa mudou nesses últimos dias, e muitas outras mudarão nos próximos. o futuro é incerto mas, ainda assim, brilhante como nunca. gosto de acordar e planejar meu dia com a maior liberdade do mundo. fazer as minhas coisas, ver quem eu gosto, aproveitar a família. meu deus, eu sou uma piegas, mas vou dizer: vou morrer de saudade.

fato é que descobri uma força que nunca imaginei que teria. estou surpresa e muito satisfeita com isso. compreendi muitas coisas também, coisas que não poderiam ser entendidas em qualquer outro período. para isso acontecer, deve haver tempo livre. durante as férias, dá pra pensar desprendidamente, com um distanciamento seguro de dramas. fica mais fácil...

estou adorando reencontrar os velhos amigos, os novos, os de sempre e os de agora. também estou adorando sair segunda-feira e ficar com a família no sábado à noite. passar as tardes de domingo na casa da vovó, comendo pastel. assistir séries todos os dias com o irmão, até as ruins (o que é my boys, alguém me exprica?!). tomar café gelado todos os dias no café do feirante (e detonar todo o estoque de bolachinhas grátis). ler o último harry potter com as pernas em cima do cão. churrascos & bares & conversas intermináveis, noite após noite...

adoro saber que tem tanta gente querida aqui em marília. mesmo os que estão em são paulo ou lá onde judas perdeu as botas, é aqui que todo mundo se reencontra.

13 dezembro, 2007

the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes "awww!"

kerouac.

quem me falou que não tava gostando de on the road, mesmo?

07 dezembro, 2007

Acho graça nos clichês que sou forçada a usar, e mais engraçado ainda é ter pleno domínio da minha mente mas, ao mesmo tempo, ter nenhum. Que coisa de filme. É uma droga, mas eu não me importo. Que necessidade absurda das coisas mais simples...
Meu Deus, às vezes me perco de uma maneira que penso que é impossível voltar. Como você é cruel. O culpado por tudo isso e por todas as confusões mais, pelo emaranhado da minha vida. Queria te culpar, mas essa é uma palavra muito forte pra uma coisa tão boa.


14 novembro, 2007

A falta de inspiração às vezes pode ser uma coisa perigosa. Assim como uma doença sem sintomas que, quando se percebe, já dominou os olhos e o coração. As coisas perdem a cor, ou ao menos as cores quentes. A sucessão de cinzas-pretos-brancos variam para simular uma certa intensidade.
Então vem uma noite quente, com cheiro de verão, com regatas e sorvetes e pés descalços. E é possível perceber aquela última estrela, do lado mais oeste do céu, aquela que brilha furta-cor e que um dia já teve um nome que você inventou. Esse pontinho luminoso, que pode ser só uma lembrança do passado, é como a vida dos que já foram.
E assim tudo segue. A vida é, em suma, uma grande seqüência de eventos que servirão para serem lembrados um segundo depois.
É impossível desvincular-se desses ancestrais, que nos miram todo o tempo. Eles sempre estarão lá, no fundo da gaveta, no cheiro que o mar teve um dia, naquele verso que você nem recorda mais ordem certa das palavras, só que ele sempre te faz chorar. Essa é a matéria que nos constitui, muito mais do que água. Assim a gente se constrói. Somos aquilo que já fomos, em todos os dias e horas a perder as contas. Seria muita pretensão almejar ser qualquer outra coisa que não seja passado.

Isso é o que eu venho pensando nos últimos dias, principalmente depois que assisti ao filme O Passado.

01 novembro, 2007

impressões sobre o tim festival:

hot chip eu não vi e nem queria ver. björk é legal, mas ainda não consegui compreender o seu conceito. arctic monkeys são (uma das) salvações do rock. the killers sonha em ser o u2, mas tá mais pra queen.

24 outubro, 2007

como eu apaguei do meu profile do orkut, queria deixar exposto aqui a descrição que o professor de fotografia fez do meu trabalho e que, basicamente, sintetiza a minha essência (por pior que isso seja - nao sei):

sou uma distraída proposital.

uau.

26 setembro, 2007

Lucia, queria que minhas palavras discorressem levemente sobre tudo o que tem acontecido. Como num fluxo de consciência. Gostaria de te contar toda a certeza que sua partida me trouxe. Mentiria, pra te deixar feliz, falando que não tenho saudades. Olhando para a sua foto, para os seus olhos, não sou capaz de fazer qualquer outra coisa que não seja simplesmente sorrir.
Queria poder falar mais de você para todo mundo. Sinto que iria fazer um bem muito grande, para mim e para quem não te conhece. Percebo que não te conheci como deveria, e é justamente isso que me traz fascínio e, ao mesmo tempo, me mortifica. Se não fosse desse jeito, talvez não teria a oportunidade de aprender tantas coisas sobre a vida. Talvez sim, talvez não. Nunca vamos saber.
Quando sonho com você, não sei o que pensar quando acordo. Só sei que eu queria te abraçar, abraçar, abraçar, até não poder mais. Ia dizer que choraria no seu ombro, mas sinto que não conseguria. Se eu pudesse sentir seu calor, seu cheiro, ouvir sua risada boba, não sobraria em mim nenhum espaço para qualquer tipo de tristeza.
Lembro de todas as coisas que eu poderia te contar, e imagino sua expressão, misto de atenção com espanto, enquanto estivesse ouvindo. Nós duas ficaríamos com vergonha, e talvez por isso o momento fosse o mais especial.
Penso na sua mãe, no seu pai, no Caio, penso em você. Isso me lembra de toda a paz e a serenidade que pode existir no mundo. Me anima e me fortalece. Penso no Dani e na minha família, em tudo que poderia ter sido, mas não foi. A vida inteira que ficou pra trás. Por mais incrível que isso possa parecer, não fico triste. O que mais me emociona é lembrar dos olhos da Isa, do abraço apertado do Caio, do sorriso do Lupa, do Dani todo de preto uma semana inteira. São essas manifestações, esses gestos das pessoas que amamos (eu e você), que me tocam, pois me relembram toda a beleza que existe em tudo.
Obrigada por ter passado por aqui, Lucia. Sem você, eu juro que seria menor. Todos seríamos pequenos. Ao contrário do esperado, sua ida trouxe vida. Vamos levando assim, calados, até o dia em que todos nós vamos nos reencontrar. Não sabemos onde, mas julgo que será no local que aparece nos meus sonhos:
Um parque com árvores, flores e sol. É outono e as folhas são todas alaranjadas. Algumas caem. A atsmofera é amena, uma brisa nos refresca. Um riacho corre próximo, o barulho das águas correndo nos acalma. Todos nós estamos lá, juntos. Todos que já foram e os que ficaram, todos que são importantes de qualquer maneira. Nos sentaremos em qualquer lugar que pareça tranquilo, montar um piquenique e talvez tirar umas sonecas. Não imagino as conversas, as palavras me parecem desnecessárias. Vamos nos olhar muito, nos abraçar, sorrir serenamente. Curtir muito a companhia uns dos outros, pelo simples fato de ela existir e ser como é. Lá não terá qualquer tipo de barreira. É pra lá que vamos, e é por esse momento que eu espero.
Até lá, não se preocupe com nenhum de nós. Estamos todos dando o melhor de si para continuar. A vida, no final das contas, é bonita. Vale a pena. Obrigada, Dona Matilde, pelas belíssimas palavras que a senhora deixou antes da internação. Realmente, sinto que nós estamos todos saboreando o manjar dos céus. Nós ainda estamos no mesmo plano, mas a distância me mata. Gostaria de poder estar com você nesse momento.
Obrigada, Lucia, por me mostrar a diferença entre cocada e queijadinha. Obrigada, Dona Matilde, pelos abraços e por me chamar de neta. É, parece mesmo que as coisas mais simples são sempre as mais importantes.
Desejo força para todas nós. E também muita coragem para aguentar a saudade.
Amo vocês. De todo o coração, Amanda.

19 setembro, 2007

(Andando pela rua gelada, com os lábios rachados. As mãos, enfiadas nos bolsos, ensaiam uma saída estratégica, mas desistem no meio do caminho por pura covardia de enfrentar o vento. Perdendo a noção dos caminhos, a garota cai no buraco da noite escura. Sente que rasteja em direção à luz, ou à qualquer lugar. As pessoas a olham, mas não a enxergam. Pode ser que pensem que ela é suja, vil.)

Ela levanta os olhos e se pergunta a quanto tempo anda assim, pequena. E, calada, descobre que sempre. O vazio em seu coração pesa tanto que lhe encurva as costas.

12 setembro, 2007

Oh! Deus me perdoe
Deus perdão por me sentir assim
Eu peço perdão
Por pedir perdão sempre
E depois cair


o cd do nasi é o nacional mais legal de 2006! e quem não concordar, é um cara de mamão.
isso sim é música, não james morrison! hunf.

04 setembro, 2007

Metodologia da pesquisa? aaaaah, não. Sorry, Rê!
Poesia experimental? Ah, isso sim! Aliás, queria postar a nossa belíssima poesia experimental aqui. Camila, por favor, manda pra mim!


Enquanto a bela poesia experimental não chega, quero falar sobre as madrugadas.
Ah, a madrugada.
Nunca pensei que poderia aproveitar tanto as noites de insônia. Para falar a verdade, estou com medo de estar me viciando em ficar acordada. Toda noite é a mesma coisa: vou dormir cedo, e daí durmo mesmo. Sonho e tudo mais. Mas de repente, pluft! O sonho acaba e o sono também. Então eu simplesmente me viro olhando para o teto e fico pensando, horas e horas pensando. Às vezes bate aquele desespero, quando está amanhecendo e o sono ainda não voltou. Mas na maioria das vezes eu aproveito esses momentos de profunda meditação. Não é como dormir... mas é como se meu espírito se desligasse do meu corpo e ficasse vagando por aí, pra todos os lugares que eu queira ir. Também não é um sonho consciente, como no filme Waking Life. É só um processo de controle de pensamentos. Incrível.
Quando a madrugada está clara, é a coisa mais bonita do mundo olhar pela janela. Uma droga morar no Centro, onde as luzes são tão claras que ofuscam todas as estrelas. Às vezes a lua escapa por detrás de um prédio, e isso sim vale a pena ser visto.
E música, para acompanhar. Sempre! Nem que seja de memória. A melhor é Ruby Tuesday, dos Stones. Desculpem, todos já cansaram de ouvir essa música por minha causa, mas o que posso fazer? É A música.
A mente é uma viagem única. Só isso que eu digo, e olha que nem é novidade.

22 agosto, 2007

não tenho mais assunto :(
sobre o quê você quer conversar?

27 junho, 2007

Eu fecho meus olhos apenas por um momento, e o momento se foi. Todos os meus sonhos passam diante dos meus olhos com curiosidade. Poeira ao vento. Tudo o que somos é poeira ao vento.

É, essa é aquela música Dust in the wind, que já teve vááários intérpretes. Eu sempre achei ela meio breguinha (principalmente com aquela Sarah Bright-sei-lá-o-quê). Mas hoje fiquei pensando nessa letra.

Lembrei de Macondo, que foi levada pelo vento ao final do livro. Levando consigo todos os Aurelianos e José Arcadios de seu passado.
Dá pra entender que a história da humanidade é, cruamente, uma grande história sobre a solidão. E só isso...

Let it ride, let it ride easy down the road. Let it take away all of the darkness.

26 junho, 2007

A maior demonstração de amor é a não exigência de explicações. Pode ler cobranças... Faz sentido pra mim.

24 junho, 2007

O vento percorre meus cabelos, explorando cada fio, desnudando-os. O movimento parece uma dança assimétrica, bonita porque é caótica. E caótica por ser bonita.

Entretanto, totalmente alheia à arte abstrata e fugidia que se descortina ao meu redor, me pego pensando nos seus pensamentos. De algum jeito, eles têm um quê de vento. Brincam comigo e me desvendam, mais do que eu gostaria e mais do que eu mesma sei de mim. Se eu conseguisse alcançá-los... Na verdade, não me importo. Jogo o jogo.

Às vezes acho que te tenho na palma da mão. Que conheço cada vírgula do seu espírito. Outras vezes, me perco no seu olhar e simplesmente não encontro saída. Você me aprisiona sem se dar conta disso. E então rio bobamente, me preocupo por não te entender. Sinto que a imagem que tenho de você torna-se funda, profunda. Com cenário, passado, futuro, figurantes, detalhes, erros. Crio histórias, invento fugas, determino cada frase da nossa conversa. E assim, mais uma vez, concluo a minha estupidez com a certeza de que nunca vou te conhecer por inteiro. E nem quero. Me encanta (e mortifica) a idéia do enigma.

Dá vontade de parar o tempo agora para tudo continuar assim, perfeito. Como as pessoas que perdem a visão com determinada idade e só se lembram dos conhecidos com a mesma feição que tinham na época do incidente. Não há envelhecimento. Se eu perdesse a visão agora, queria ver pra sempre o seu olhar, fundo, que me perfura e aterroriza, seu olhar triste, sereno, o olhar que pensa que eu não vejo, o mesmo olhar que eu quero acreditar que é diferente de todos os outros.

Seria a imagem mais doce que eu poderia ter comigo até a minha morte. Quando me chateio com você, é pelo fato de ainda não te entender do jeito certo. Não quero te entender nos meus moldes, te comparar a mim, que é a maneira mais fácil de dizer "Eu entendo". Quero sentir a dor que você oculta, fazer as mesmas ligações. Te compreender por te conhecer. Todos os seus piores defeitos. Vou sofrer, mas sentirei que estarei maior. Porque a maior grandeza da vida não é tentar ser perfeita, mas me aceitar por aceitar os outros com resignação. Passar do egoísmo para o auto-conhecimento. Por mais pleonástico que possa parecer.

Quero te ver assim, distante e cheio de mistérios. Que é a maneira mais altruísta de te amar.
Hallelujah!

;)